Fonte: https://comexdobrasil.com/

Da Redação (*)

Brasília – Maior mercado consumidor de mobiliário no mundo, os Estados Unidos são também o principal destino das exportações brasileiras de móveis e colchões. Em 2024, as vendas de peças prontas para o país atingiram US$ 225,89 milhões, representando 27,6% do total exportado pelo Brasil no setor. Dessa forma, apesar da queda em relação a 2023 (-3,5%) – puxada, entre outros fatores, por uma maior diversificação de parceiros comerciais –, o mercado americano segue como o mais relevante quando o assunto é o comércio exterior brasileiro.

Com um ambiente econômico em transformação e mudanças no perfil de consumo dos americanos, novos desafios emergem, mas também trazem oportunidades significativas para os exportadores que apostarem em diferenciação e estratégias comerciais bem estruturadas.

Contexto apresentado no “Estudo de Oportunidades – País-Alvo: Estados Unidos”, publicado pela Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), e desenvolvido pelo IEMI com exclusividade para empresas associadas ao Projeto Setorial Brazilian Furniture.

Panorama do mercado de móveis nos EUA

A indústria moveleira nos Estados Unidos enfrentou um período de desaquecimento, com a produção nacional tendo caído 8,1% em 2023, ficando 17,5% abaixo do patamar pré-pandemia (período de referência do estudo). O consumo interno de móveis no país também apresentou recuo, totalizando aproximadamente US$ 91,5 bilhões no mesmo ano, uma queda de 16,3% em relação a 2022.

Ainda assim, 43,9% desse consumo foi suprido por importações, o que demonstra um espaço significativo para fornecedores estrangeiros, incluindo o Brasil. Estimativas de fontes especializadas também apontam um incremento de mercado de 3,06% em 2024, potencialmente contornando parte da demanda perdida nos últimos anos.

Uma tendência importante que pode contribuir para acelerar o consumo de móveis nos EUA (com alta projetada de 3,2% entre 2025 e 2028) vem do setor imobiliário: o crescimento da construção de moradias, com 668 mil unidades vendidas em 2023. Esse aumento tende a impulsionar a demanda por móveis e artigos de decoração, criando novas possibilidades no mercado interno, especialmente em nichos de móveis funcionais, compactos e flexíveis, considerando o boom da “mini-habitação” no país.

O móvel brasileiro no mercado americano: potencial de crescimento

E por falar em novas possibilidades, embora os Estados Unidos sejam os maiores importadores de móveis brasileiros, o Brasil ainda ocupa a 16ª posição entre os fornecedores de mobiliário para o país norte-americano. Cenário que pode se ampliar com um planejamento adequado. Considerando, ainda, a importância de se reforçar a proximidade geográfica entre os países como fator estratégico para o comércio exterior entre Brasil e EUA.

De 2019 a 2024, as exportações brasileiras de móveis e colchões para o mercado americano totalizaram mais de US$ 1,6 bilhão. Como exemplo, o valor é de +104,96% frente ao acumulado de 2013 a 2018. Para os próximos anos, estima-se um potencial adicional de crescimento de 47,9%, com exportações de produtos acabados podendo atingir um total de US$ 346,5 milhões ao ano.

Para atingir esse potencial, contudo, a indústria brasileira do mobiliário deve buscar expandir seu mix de produtos na região. Um ponto de atenção, aliás, é o preço médio das exportações brasileiras para os EUA. Tendo o ano de 2023 como referência, este valor foi de US$ 3,66/kg, montante 7,7% inferior ao preço médio das importações americanas de outros países. Essa diferença evidencia a necessidade de se investir na inserção de itens de maior valor agregado, especialmente considerando se tratar de um mercado altamente competitivo e que tem na China a principal origem de suas importações.

O fortalecimento das características intrínsecas à indústria e ao design brasileiro – como matérias-primas, técnicas, acabamentos e processos produtivos singulares, que agregam valor por meio da qualidade, da originalidade, da inovação e da sustentabilidade –é fator essencial para ampliar ainda mais a entrada e aceitação dos produtos brasileiros por lá. Além disso, a presença on-line através de canais de e-commerce e a formação de parcerias com varejistas e distribuidores locais são pontos-chave para facilitar essa relação.

Nesse sentido, a participação em eventos de relevância no país, como a ICFF (International Contemporary Furniture Fair) em Nova York, considerada a maior feira americana no segmento de mobiliário contemporâneo, é mais uma ação estratégica na consolidação do mobiliário brasileiro no mercado americano. Neste ano, a feira ocorre de 18 a 20 de maio, contando mais uma vez com a presença de empresas e designers brasileiros por meio do Projeto Brazilian Furniture.

Impacto de tarifas e políticas comerciais

Por fim, os Estados Unidos possuem uma tarifa média de importação relativamente baixa (3,5%), e a maioria dos móveis exportados pelo Brasil entra no país sem incidência de tarifas aduaneiras. No entanto, os colchões são uma exceção, sujeitos a uma tarifa de 3%.

Atualmente, o mercado americano é considerado liberalizado para importações de móveis, sem barreiras não-tarifárias significativas para produtos do setor fabricados no Brasil. É essencial, contudo, monitorar políticas comerciais e exigências regulatórias em processo de mudança, frente a uma abordagem mais protecionista por parte do novo governo.

Nesse panorama, os Estados Unidos seguem, portanto, como um mercado prioritário para o setor moveleiro brasileiro. Apesar de desafios como a concorrência chinesa, oscilações econômicas e questões geopolíticas, há oportunidades claras para crescimento na região, em especial pela via da competitividade e da diferenciação de mercado.

(*) Com informações do Brazilian Forniture

Conteúdos extras